Juventude

Juventude e Trabalho...


Desemprego ainda penaliza os mais jovens

Em 2007, dados de pesquisa verificaram a forma como é dividida a força de trabalho nas áreas metropolitanas em todo o Brasil, em especial, no que diz respeito à força de trabalho jovem, segmentada por faixa etária (idade), gênero (homens e mulheres) e raça (negros e não negros).

De todos os jovens (6,3 milhões), a grande maioria deles faz parte da força de trabalho, são 4,5 milhões de jovens empregados com idade entre 16 e 24 anos, somando 23,3% de toda a população economicamente ativa das metrópolis.

A força produtiva vem sofrendo alterações, motivadas tanto pela migração de centros rurais para centros urbanos, como pelas mudanças no comportamento e nas expectativas dos indivíduos diante das oportunidades e dificuldades do mercado de trabalho nestes tempos de estabilidade e crescimento econômico em nosso país.

Entre os jovens empregados, uma imensa maioria tinha entre 18 e 24 anos em 2007, e seguindo o padrão da distribuição da força de trabalho adulta, a maior parte dos jovens empregados ainda é de homens e não negros, ou seja, 48,2% dos que trabalham são moças e 49% são negros, isso em média, porque regionalmente este número sofre grande variação.

No período pesquisado, entre 1998 e 2007, destacou-se uma redução do número de jovens empregados com idade entre 16 e 17 anos. Este número corresponde a uma diminuição da força de trabalho em 2,9% ao ano, que não foi superada pelo aumento na força de trabalho entre jovens de 18 a 24 anos, que aumentou em 1,2% ao ano. Isto quer dizer que no início do período estudado, 27% dos trabalhadores eram jovens, e no final deste período eram apenas 23%. 

Os fatores que causam esta diminuição de jovens no mercado de trabalho são sociais e econômicos, ou seja, o mercado de trabalho não absorve a grande quantidade de jovens em busca de um emprego, seja por exigência de preparo e qualificação, por diminuição nas oportunidades de emprego ocupadas por jovens, ou até por fatores como natalidade, mortalidade e migração. Houve aumento de jovens trabalhando, mas um aumento que seguiu abaixo do aumento total de trabalhadores nas áreas metropolitanas.  (Isto tudo é o mesmo que pedir para um encanador aumentar o tamanho da torneira e do ralo da pia, que eram pequenos para a nossa necessidade, mas ele só achou uma torneira grande e um ralo médio, dá pra imaginar o que acontece?).

Em todas as regiões investigadas, houve diminuição no número de jovens economicamente ativos, com ênfase na região metropolitana de Salvador como a de maior diminuição e na região de Porto Alegre como a de maior estabilidade nesta diminuição, ou seja, quanto mais para cima do mapa do Brasil, menos ofertas de empregos para jovens.

No entanto, entre os jovens que trabalham, no período de tempo estudado houve um importante aumento na proporção de jovens negros com um emprego, com ênfase na região de Recife, que tinha 65,8% de jovens negros no trabalho, e em 2007 aumentou para 76,8%. Já em Brasília, o número de negros no trabalho manteve-se estável, e em outras regiões o aumento foi menor, mas foi um aumento verificável.

Mesmo assim, fazendo uma média entre a proporção de trabalhadores nas regiões, as jovens mulheres e os negros ainda são os que sofrem mais com o desemprego assim como todos os jovens de 16 a 17 anos, variando muito de região para região. Isto quer dizer que, se você é jovem de 16 a 17 anos e/ou mulher e/ou negra e têm um emprego, considere-se parte de uma qualificada, “afortunada” e valiosa minoria, pois a maior parte dos empregados nas áreas metropolitanas é homem, não negro e maior de 18 anos.

Podemos colocar alguns fatores como determinantes para que isso aconteça:  as mulheres são ocupadas nos trabalhos domésticos e na criação dos filhos, os jovens necessitam de cada vez mais instrução e preparo para ingressar no mercado de trabalho e pior que isto, ainda há muito preconceito contra negros, jovens e mulheres quanto às vagas a serem preenchidas no mercado de trabalho.

A discriminação com negros e mulheres tem sido cada vez mais acentuada no período pesquisado, fazendo parte da grande maioria que não consegue emprego, nunca conseguiu ou fica cada vez mais distante da possibilidade de ingresso no mercado de trabalho e no mundo do poder de compra.

Os jovens que encontram-se inativos ou indisponíveis para o trabalho tem apresentado um número reduzido ao longo do tempo, ou seja, aqueles que nunca trabalharam por falta de interesse, por motivos de permanência prolongada na escola ou por ocupação em trabalhos domésticos tem sido observados em número cada vez menor. Porém, entre estes jovens inativos, o número de mulheres e negros tem sido cada vez maior.

E o que podemos fazer para reverter este triste quadro, ou pelo menos reduzir os danos da historicamente construída injustiça social e econômica em nosso país? Bom, o primeiro passo certamente é a aquisição de informação e de conhecimento, por isso o sindicato está oferecendo estes dados para vocês jovens. O segundo passo certamente é a união e a reclamação pelos direitos de integridade, justiça e cidadania, pois sozinhos não mudamos quase nada, mas este ainda é um capítulo a ser escrito.

Bibliografia: DIEESE ; “Trajetórias da juventude nos mercados de trabalho metropolitanos: mudanças na inserção entre 1998 e 2007.”/ DIEESE.- São Paulo: DIEESE,2008. 112p.- (Biblioteca DIEESE). ISBN 978-85-87326-39-3. 1. Desemprego. 2. Ocupação. 3. Mercado de trabalho. I. DIEESE. II. Título. III. Série. CDU331.5-0536.

João Jorge é psicologo formado na PUC SP