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Os analistas financeiros anunciaram a retomada da economia desde o final do ano passado. Mas o tempo avançou, mais da metade de 2018 já passou e os resultados decepcionantes se acumulam, contradizendo as propagandas de recuperação que o governo Temer tanto vinha pregando.

 

A alta do combustível, a greve dos caminhoneiros, o cenário internacional, o desemprego, a economia lenta e o período de eleições que se aproxima, adicionam forte incerteza à conjuntura e têm levado a significativas revisões para baixo das projeções de crescimento do PIB.

 

O número de desocupados está em quase 14 milhões, segundo o IBGE, que correspondem a 12,9% da população economicamente ativa de fevereiro a abril de 2018. Na comparação com o mesmo período de 2017, a taxa de desocupação diminuiu 0,7. Isso se deve à alta de 1,7% na ocupação, percentual correspondente a cerca de mais 1,5 milhão de pessoas que tiveram que arrumar uma maneira de sustento.

 

Conforme levantamento feito pelo Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), o desemprego e a perda de renda fizeram o número de estudantes ingressantes nas universidades particulares cair 5% no primeiro semestre de 2018.  Traduzindo, 80 mil pessoas deixaram de entrar em um curso superior neste ano. Somando o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, a queda de matrículas representou: 25,7%.

 

A falta de emprego afeta uma porção grande da população, e entre os mais jovens a taxa acelerou. Um estudo divulgado pelo Ipea aponta que, em dois anos, a taxa de desemprego entre jovens de 15 a 29 anos aumentou em 10 pontos percentuais, um resultado maior do que o registrado em outras idades. O desemprego bate à porta e as chances de dar início à vida profissional através dos estudos se mostram cada vez mais difíceis. Este cenário tende a agravar ainda mais a situação econômica.

 

 

Deforma

Os números sobre o desempenho do mercado de trabalho contrastam com as promessas veiculadas por aqueles que defendiam a necessidade da deforma trabalhista. Para o DIEESE, o desempenho do mercado de trabalho é fundamentalmente determinado pelas condições macroeconômicas e as mudanças propostas, além de não ser resposta ao desemprego, levariam a uma deterioração das condições de trabalho e de vida dos brasileiros.

 

Passados oito meses de vigência da deforma, as consequências mais evidentes são todas de caráter negativo, prejudiciais ao conjunto dos trabalhadores, e, de maneira alguma, conferem maior estabilidade às relações de trabalho no país ou ensejam melhora do mercado de trabalho. A OIT (Organização Internacional do Trabalho), em decorrência das mudanças na legislação, incluiu o Brasil numa lista de 24 países suspeitos de cometer violações a direitos trabalhistas.

 

Com as novas regras, também ficou evidente o ataque ao financiamento sindical. Números recentemente divulgados pelo Ministério do Trabalho mostram queda na arrecadação da contribuição sindical, em abril de 2018, de aproximadamente 90% em relação ao mesmo mês de 2017.

 

Ao observar a conjuntura atual, vale ressaltar que pioraram as perspectivas para a economia brasileira no segundo semestre deste ano. A alta taxa de desemprego demonstra que persistirá nos próximos meses. Parte significativa das ocupações, se continuarem sendo criadas, também serão de baixíssima qualidade.

 

Os trabalhadores brasileiros precisarão resistir ao desmonte em curso, persistir na unidade na luta com os sindicatos e examinar com extrema cautela as propostas dos candidatos às eleições e votar com consciência em pessoas que realmente representam os interesses dos trabalhadores.

 

 

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