Brasil fica para trás na corrida tecnológica e o impacto recai sobre os trabalhadores
O avanço acelerado de países como o Vietnã em tecnologia, educação e inovação acende um alerta importante para o Brasil. Mais do que uma disputa econômica, trata-se de uma transformação estrutural que impacta diretamente o futuro do trabalho e as condições da classe trabalhadora.
Dados recentes mostram que, em 2024, o Vietnã exportou US$ 124 bilhões em produtos tecnológicos, enquanto o Brasil alcançou apenas US$ 8 bilhões. Hoje, a tecnologia representa cerca de 40 por cento das exportações vietnamitas, contra menos de 3 por cento no Brasil.
Esse avanço não acontece por acaso. O Vietnã estruturou uma estratégia nacional de longo prazo, investindo simultaneamente em educação básica de qualidade, formação técnica, desenvolvimento de inteligência artificial e infraestrutura tecnológica própria, incluindo datacenters e bases de dados nacionais.
Um exemplo concreto é o desenvolvimento do modelo de inteligência artificial VinaLLaMA, adaptado à realidade linguística e cultural do país. Essa iniciativa fortalece a soberania digital e reduz a dependência de grandes empresas estrangeiras.
Enquanto isso, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais profundos.
Os resultados educacionais evidenciam essa desigualdade. No Vietnã, estudantes com pior desempenho apresentam resultados equivalentes aos melhores alunos brasileiros. Isso revela uma diferença que vai além do investimento. Trata-se de prioridade, planejamento e eficiência.
Impactos diretos no mundo do trabalho
A falta de qualificação da força de trabalho brasileira se torna ainda mais crítica diante do avanço das tecnologias digitais e da inteligência artificial.
O principal risco não é a eliminação imediata de empregos. O maior problema é a reorganização do mercado de trabalho de forma desigual. Sem formação adequada, os trabalhadores ficam mais expostos à precarização, à redução salarial e à exclusão das novas oportunidades.
Além disso, a dependência de tecnologias estrangeiras limita a autonomia do país e reduz sua capacidade de gerar empregos qualificados.
Educação e tecnologia precisam caminhar juntas
A experiência internacional mostra que não basta importar tecnologia. É necessário formar pessoas capazes de criar, operar e desenvolver soluções.
Nesse cenário, torna-se urgente que o Brasil avance em pontos fundamentais:
- Investimento consistente na educação básica e técnica
- Programas de requalificação profissional para trabalhadores adultos
- Fortalecimento de uma política industrial voltada à tecnologia
- Incentivo à inovação nacional e à soberania digital
O futuro ainda pode ser construído
O avanço de países como o Vietnã deve ser visto como um sinal de alerta, mas também como uma oportunidade de mudança.
Para a Fenattel, o futuro do trabalho passa pela valorização da educação, pela inclusão digital e pelo fortalecimento de políticas públicas que garantam desenvolvimento com justiça social.
A transformação tecnológica já está em curso. O desafio agora é garantir que ela aconteça com inclusão, geração de oportunidades e proteção para os trabalhadores.
Fonte: Folha (Coluna Ronaldo Lemes)



